sábado, 21 de janeiro de 2012

Achar alguém para amar

Ela era menina boazinha que passou por uma situação constrangedora. Tinha 17 anos e nunca fugiu de casa, no máximo dizia aos pais que ia dormir na casa de uma amiga. Seus relacionamentos amorosos não duravam mais de dez minutos e sentia uma pontada de inveja ao ver suas amigas arranjando pretendentes pra namorar. Observava os meninos de sua cidade e os considerava tão interessantes, pena que eles não achassem o mesmo dela. Andava com as meninas mais populares, não como se fosse uma delas, mas como estivesse ali para ajudá-las se arrumar e as divertir.
Muitas vezes das vezes que era abordada pelos garotos, tinha a impressão que eles faziam isso para conhecer as amigas tão mais bonitas que ela. Por isso, que ficou surpresa com uma declaração de amor inusitada na internet. Ela estava ali, abobalhada com um garoto dizendo o quanto estava apaixonado por ela. Eles estudavam na mesma escola, porém em horários diferentes. Não era feio, mas evidentemente acima do peso e um tanto desengonçado. Não se sentia atraída por ele, não tinha a ganhado.
Sua impressão era que ele era bonzinho, aquele em que podia ser considerado inofensivo. Ela percebeu que ele a tratava muito bem e sempre interessado nas coisas que tinha a dizer. Tinha uma boa conversa, apesar de utilizar desastradamente a lábia de galã, sempre chegando muito próximo e utilizando olhares penetrantes até mesmo em conversas impessoais. Muitas vezes se sentiu desconfortável com as aproximações, afastando-se logo em seguida. De certa forma, se fosse um dos meninos que admirava a tratassem daquele jeito, se sentiria muito melhor. Infelizmente eles não a tratavam, faziam isso somente para suas amigas, mas o garoto em questão a tratava assim, muito bem. Ocorreram diversas conversas de mensagem até o dia que o menino disse tudo que ela gostaria de ouvir de um namorado.
Apesar de todos juras de amor e as promessas dita pelo garoto, ela passou a noite chorando, não acreditando na ironia da vida. Tudo o que ela pedia aos seus objetos de amor era ter uma chance pra mostrar como era. Agora foi colocada contra a parede por alguém que dizia sentir o que ela já sentiu. Ah como ela queria ouvir tudo aquilo de alguém que amasse, era um sonho sentir desejada.
Teve a impressão de ser exatamente como o rapaz, considerando-o merecedor de amor e carinho. Ela não sentia nada por ele, mas quem sabe o tempo faria surgir um sentimento. Já imaginou um namoro, por que é óbvio que tudo será muito rápido. Resolveu passar por cima da sua opinião inicial e dar uma chance pro rapaz. Passaria a olhá-lo de outra forma, superaria sua aversão e enfim teria um relacionamento. Enfim teria um namorado, não da maneira que queria, não era bonito talvez nem fosse o suficiente inteligente. Mas namoraria alguém que tratava a bem e aquilo era o mais importante.
Ao chegar à escola, pronta a contar a conversa com uma suposta amiga. Perguntou se ela achava o tal garoto bonito. A resposta era um ar de deboche com um balançar de cabeça de mais ou menos, secamente falou achava que ele fazia um casal simpático com uma garota do turno da manhã, namoravam há meses. Ao ouvir o que a amiga lhe dizia, pensou na possibilidade de engano. Mais tarde ficou sabendo que não era. Várias pessoas que viram a aproximação dos dois, mas ninguém a alertou da situação, pois achavam que ela sabia e era até mesmo proposital. Sentiu-se a pessoa mais ingênua do planeta.
Ao ver o menino olhando pra ela de forma sorridente. Ao se aproximar indagou a ele sobre a verdade. Viu a sua petulância e enfim conheceu a voz sarcástica. Tudo que disse na noite anterior foi que era uma brincadeira da parte dele. Ele dizia sorrindo que apenas queria se divertir com a ilusão. A razão das atitudes? Impossível de saber. Nem mesmo os maiores galinhas juvenis, meninos que realmente arrancam suspiros seriam capazes de ter a mesma atitude em relação a outra pessoa.
Ela foi vitima da sua baixa auto-estima e da dele também, por que não? Jamais percebeu que se tratava de um idiota, não chegando a cogitar a hipótese. A final de contas, uma pessoa normal não gastaria o tempo iludindo o sentimento de outra pessoa, trata-se de uma ação, no mínimo, desnecessária. Na verdade, ela não ouviu, ela leu. Frases clichês, fáceis de serem escritas e mais fáceis de serem copiadas.
Tudo que ela queria era ser amada e por um segundo acreditou naquela declaração vazia. Cometeu o erro ao se calar em uma situação que parou embaixo do tapete. Deixou ser enganada por um pilantra e ainda não o denunciou para a outra garota. Ela foi enganada, mas havia a possibilidade de não acreditar no que era dito. É muito fácil se aproveitar da carência alheia, utilizando palavras e sentimentos vazios para ganhar uma afeição momentânea. Deve ser muito mais fácil fazer armadilhas amorosas do que conquistar alguém de verdade.

2 comentários:

Guilherme disse...

Eu acho que já conheço essa história...e não fico ofendido não...o tempo muda muita coisa e esclarece tudo o que aconteceu em nossas vidas.

Cuide-se !!

Guilherme.

Guilherme disse...

E não ligo de postar meu nome !!!