segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Who run the world? Norma

Até parece que eu sou mega noveleira e sei de tudo. Grande engano. Por levar uma vida nada agitada, que se resume a ficar sentada na escrivaninha, eu me pego muito na frente do pc e também olhando pra tv. Eu sei, isso deixa a gente meio "sem vida", também acho. Mas a vida, por enquanto, é assim.

Pra falar a verdade, Insensato Coração é a novela que menos gostei. O que dizer de uma trama que todo mundo ja sabia o final há duas semanas e o autor não mexeu. Queria que fosse a última que eu assisto, mas Cordel Encantado realmente me ganhou com sua fofura e originalidade (Ai Capitão Herculano). Mas só uma coisa me prendeu na novela. Minto, duas. Os impagáveis diálogos entre a Nathalie, Roni, Dãglas e Bibi. Cada um mais divertido e interessante que o outro, que poderiam ser anotados e usados em situações cotidianas.

Mas a que ganhou me atenção, assim ó, desde o começo, foi a Norma. A que me fez aturar personagens chatos, uma trama sem história e sem nexo. Ter que aguentar gente que nem sabe atuar. Ah, quem me tem no facebook até viu minha empolgação com a Norma, mas gente é a real, única personagem que prestou nessa novela. Alias a Glória Piris fez tão bem que até a atuação dela, jogada no chão e morta, foi melhor que a de muita gente. Isso porque eu só pensava "não ela devia estar viva!", porque na real a personagem estava viva. O autor tinha uma bela personagem nas mãos, mas foi lá e jogou tudo pro ar.

Eu tenho uma amiga que não entende porque eu gostei tanto da Norma. A razão é simples. Lembra das aulas de Literatura, Romantismo e Realismo? Então, personagens planas e esféricas. A Norma é a única personagem esférica da novela. Nada de "Ah vah" pra mim. É sério. No inicio eu ri porque ia ter uma personagem "Enfermeira burra". haha... a nossa profissão nunca é representada, e quando é colocam como alguém. Ah deixa pra lá. Mas foi legal ver como a personagem cresceu psicologicamente, como ela foi adquirindo inteligência e reflexão. Isso são coisas de personagens esféricas.

Também acho que isso é muito próximo do que acontece na nossa vida. Quando pessoas aprendem realmente com determinadas situações, elas ficam mais reflexivas e meditam sobre o erro. Isso foi legal sobre a Norma: ela passou a ficar esperta. Foi alguém que foi treinada a ser "boazinha", e caiu na real quando viu que ninguém iria ajudá-la por conta própria. Quer saber o que eu acho? Uma bela de uma lição, principalmente pra nós mulheres, a não acreditar em qualquer "Lobo em pele de cordeiro". Quem é que nunca se lascou feio? Quem nunca foi traído? E não só com o amor, mas na vida? Quem nunca foi, pode ter certeza, que traição é como consorcio. Se você nunca foi "sorteado", relaxa que sua hora chega.

Focando na teledramaturgia brasileira, praticamente a Globo domina o negócio. Até mesmo as outras emissoras seguem o modelo dela. Então vamos lá. Se a gente for observar, uma novela é praticamente igual a outra. Me dá neuras com o tal "Quem matou fulano?". Saco, se quer aumentar o índice de ibope de uma novela, basta matar alguém. E lá vai um ator perder o emprego. É sinal que roteirista não tem nada pensado e sim copiado. Os personagens principais são todos caricatos. Bonzinho e mauzinho. Manuel Carlos, que gosta de uma coisa mais realista (da classe A), nem consegue ter mais vilão nas novelas dele, e as Helenas são todas da mesma linha.

A autora de novela que mais inova é a Glória Perez, mals ae mas O Clone é muito bem bolada. Tem suas falhas, a Jade é mega FDP e mesmo assim é mocinha, e o Lucas é o homem mais tapado do universo. E mesmo assim "somente por amor a gente põe a mão". Vai entender. Já vi nego falando que agora não tem mais mocinho, e sim heróis. Mas esses heróis são panacas demais, gente besta que não cativa o público.

Nesses dias eu assisti "Morde e Assopra". Depois de tanta babaquisse, a primeira frase mais próxima de um homem de vida real que eu vi foi do Marcos Pasquim. Só sei que ele foi indagado se queria casar com a tal da Celeste "Ah ela é gostosa de pegar, beija bem, mas sei la esse negócio de casamento...". Homem bruto falando de mulher? Ah agora eu vi sim.

Quando eu digo que adoro a Norma é porque vejo uma personagem feminina forte e complexa. Tenho certeza que, em algum momento, a Norma teve "inspiração" na Alicia Florick, de "The Good Wife", mesmo que seja no corte de cabelo. Na real, foi um plagio deslavado, quando as duas eram "boazinhas" usavam cabelo semi-preso. Depois que viraram poderosas deixaram soltos e maquiagem formal. Mas só tenho a dizer que Alicia é outra mulher espetacular, ainda bem que é reconhecida como tal. A série é brilhante pois todas as personagens são feitos de momentos. Eles agem conforme a situação, não existe o "bonzinho e o vilão". Mas o interessante que existe o Certo que pode fazer mal e o errado que pode fazer o bem. A lição sobre o "Fim justifica os meios?", que fica sem resposta. Mostra que são personagens esféricos, reagindo conforme a situação, com dramas psicológicos que mexem com a gente. Como é que eu lidaria com tal situação? Será que isso é certo? Isso é errado? Semelhante como as pessoas agem na real. Drama psicológico minha gente, isso que eu quero. Gente como a gente, ou gente que pensa diferente da maioria e inova, fazendo tudo da sua maneira.

No final, coube a Norma o tal do Insensato Coração. Para não sair do padrão "mocinho e vilão", preferiram encaixá-la como vilã e forçar as situações para tal. Que pena , a que mais pensou e aprendeu na trama. Seria uma personagem interessante para uma trama rica, que prendesse e fizesse pensar. Mas fico chateada, como a gente acaba se envolvendo com essas porcarias. Vontade de ir lá e fazer melhor. Mas tenho certeza que daqui alguns anos, algum outro autor vai utilizá-la novamente, que na nossa tv tudo se copia.

Por sinal, Aguinaldo Silva nem esperou para terminar a novela das sete para roubar o enredo. Pelo amor ein, filho que faz medicina e tem vergonha da mãe pobre?

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