quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A minha busca pelo meu vestido Armani

Nesses dias fui acompanhar uma amiga nas compras. Ela queria tentar estacionar o carro a todo custo, nas ruas cheias da véspera de natal e não havia vagas. Quando conseguiu, foi correndo feliz da vida, procurando a blusa que tinha visto no dia anterior. Ela queria aquela em especial e parecia estar enfeitiçada, como se fosse seu santo graal. Apesar de ter gostado da blusa na primeira vez que viu, ficou com preguiça de comprar. Ela ficou decepcionada quando a vendedora falou que tinha vendido, fazendo expressão de dor acompanhada com uma cara de choro, ficando ali parada com o cartão de crédito na mão como se pagasse o preço que fosse para poder carregar aquele pedaço de pano. Não dava mais tempo. Parece bobo a gente ficar com dó de uma marmanja, mas eu fiquei mexida com a cena, um dó inexplicável.

Tive um momento de epifania e me lembrei do filme “Divã” que assisti há certo tempo. Tinha uma cena incrível em que a divina Lilia Cabral estava na mesa com o ex-marido dela. A personagem vira pra ele e o compara com um vestido Giorgio Armani. Disse que ele era como aquele Armani maravilhoso, ela o considerava especial, mas que um dia uma amiga o pediu emprestado e ela notou que caia melhor na outra. Resolveu dar o vestido a amiga, apesar desta não tratá-lo com tanta consideração como ela.

Eu tive um novembro muito estranho. Eu não vivi nenhuma das situações acima, mas parece que eu entendi. Encaixei as situações como se fossem minhas próprias e admito o quanto é estranho usar o sentimento alheio e interpretá-lo de uma forma para explicar o seu. Vou contar o que me ocorreu no último mês, utilizando os elementos mesmos elementos, criando uma fábula marota.

Eu passei de frente pra uma loja que normalmente eu não costumo passar em frente. Vi um vestido Armani exposto na vitrine e gostei dele na primeira batida de olho. Porém nem cheguei tão perto. Eu não vi o preço, não vi o tamanho, não vi os detalhes.

Quando cheguei a casa, do nada, me pego pensando em como eu ficaria naquele vestido. Que seria maravilhoso eu usá-lo em tal situação, ele deixaria meu corpo assim e assado. Mente fantasiosa como a minha, em um segundo, passei a vê-lo como se realmente me pertencesse. Como se tivesse o cabide próprio, o lugar certo no meu armário.

Na minha cabeça eu vesti aquele vestido. Ele foi desenhado pra mim, como se o estilista tivesse pensado em atender unicamente aos meus caprichos. Mas nós sabemos muito bem que não é assim que a indústria funciona. Porém, era assim que eu me senti, como se alguém tivesse posto em uma única fórmula material tudo que meu inconsciente pediu, conforme minhas medidas. Com cada pense adequada ao meu gosto, cada bainha muito bem costurada, com o caimento certo. A costureira caprichou em tudo só para adequar nas minhas curvas. Como eu poderia saber disso? Não sei. Às vezes nossa cabeça entra em uma confusão, passamos a chamar de Instinto aquilo que nada mais é o próprio Ego, esquecendo todas as normas que aprendemos sobre o mundo.

Mas lá vou eu, desesperada assim como minha amiga, tentar achar uma vaga, não se importando onde irá deixar o carro. Correr desesperadamente atrás do vestido, sabendo que nas noites de dezembro as lojas estão cheias. Trata-se da ânsia e do desespero, confundidas com a esperança de aquele Armani sonhado estar lá, esperando que eu o leve para casa. Não importa o preço, porque é um Giorgio Armani, vale o que for o suor alheio e quem sabe o meu para pagá-lo. O que importa é a posse.

Ao escutar que ele acabou de ser vendido torna-se uma verdadeira decepção. Eu consigo imaginar que devia ser aquela garota linda de morrer que acabou de sair com a sacola, feliz da vida se considerando a maior sortuda do mundo por ter comprado um Armani. Eu me sinto a maior tola do planeta, considerando também ser a única merecedora. As dúvidas e repreensões pingam na mente: Como não agi antes? Como deixei passar essa? Como eu não reparei que era o vestido dos sonhos?

A vontade é de correr atrás, de negociar, de bater boca. Quem sabe roubar o vestido e levá-lo comigo. Com certeza servirá em mim, muito melhor do que serviria pra ela. Eu mereço ter um Giorgio Armani, que saco. O estilista, a costureira, o modelo, a vitrine. Tudo estava conspirado para ser meu. Mas será que eu tenho que ir atrás? Será que isso vale a pena?

Eu posso correr atrás o quanto eu quiser e talvez até tomá-lo pra mim. Mas todo bom senso do mundo indica que eu estou errada, que o crime não compensa. Cada vez que eu o vestisse, me sentiria mal, pensando na forma que eu o conquistei que foi errado. Chegaria o dia que eu desistisse de usá-lo. Olhando atentamente eu nem sei se ele serve em mim. E o preço? Será que compensaria a divida? Quem sabe vestindo não era exatamente o que eu queria. Talvez nem seja um verdadeiro Armani, apesar das situações indicarem que o seja.

Eu não vi o vestido no meu corpo, eu vi a imaginação que criei e a vesti apenas na mente. Existem diversas possibilidades como nem ser o vestido tão bonito ou nem fosse exatamente o que eu queria para mim. Poderia ser mais uma roupa no meu armário, que está ali, mas não tem ocasião adequada para usá-lo.
Assim como a Mercedes, eu estou comparando um homem especifico como um vestido Armani, mas na verdade vivi a experiência da minha amiga. Juntei expectativas e dei de cara com a negativa: ele não está mais disponível. Eu não sei dizer se eu e ele nos daríamos bem, mas eu queria pelo menos ter experiência. Se tivesse chance, voltaria no instante que reparei nele e iria atrás, quando ele ainda estava lá. Sentir que a sensação de querer não foi em vão.

A gente pode rir que a vida é incrivelmente irônica. Com sorte de um vencedor de loteria, talvez num bazar da vida eu o reencontre, o que será difícil. Se eu fosse aquela menina, não me desfazia dele por nada. Pelo menos se ele for o que realmente eu penso, com qualidades e defeitos. Eu jamais seria capaz.

Posso acreditar que relações se desfaçam assim como a moda muda. Às vezes minha moda particular mude e o que eu desejava euforicamente ontem já não terá a mesma importância amanhã. Mesmo assim é horrível você acumular tanta expectativa, e cair na real que a única certeza das coisas é que você não terá total controle sobre nada. Não dá para acreditar era apenas mais um vestido que eu quis.

Eu sou aquela idealizou, criou uma expectativa talvez até exagerada por algo que não vai se realizar. As pessoas ao redor podem dizer o que for, mas para mim parece que eu me vi querendo um vestido muito especial, um Armani, e não quis comprar na hora. Outra mulher chegou, não perdeu a oportunidade, ela usou o vestido. Meu lado realista prefere pensar que ele fica muito mais bonito nela do que ficaria em mim.
Quem nunca passou por isso que jogue a primeira pedra. Essas coisas podem ocorrer até mesmo aquelas que chegaram a experimentar os vestidos e não lhe serviram, ou as que conseguiram comprar, mas não lhe caíram bem. Também existem aquelas que têm vestidos que já lhe couberam muito bem um dia, mas hoje eles não servem mais. Chega uma hora de abrir mão, pois devem ser lembrados como algo que foi bonito no passado e ser passados pra frente.

Há muitos vestidos por ai para diferentes estilos e gostos. Os que podem cair bem no corpo, os que não podem. Quem sabe se eu procurar o que eu quero em outra loja, eu vou encontrar um vestido semelhante ou até mesmo mais adequado a mim. Mas repetindo a frase do filme, se a “amiga” não cuidar direitinho desse vestido em especial, o Giorgio Armani do qual eu abri mão de correr, eu juro que pego ele pra mim.

“Iaiá, se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade. Pois é, em ti, eu me atirei. E fui te encontrar pra ver que eu me enganei...”

“Amores platônicos são engraçados, ainda mais de se contar...”

“Porque se eu quiser e você não vier, eu invento um amor”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A melodia que me pegou

vi no blog da kazinha

Tentando entender o que dizia, e depois procurando a tradução (eita Fisk), a música que interpretou tudo aquilo que eu sinto quando estou apaixonada.



Ah se eu soubesse expressar isso direito para os meus queridos... pena que eu não sei né. rs... ou não (ainda bem que não).

sábado, 10 de setembro de 2011

Bola na trave não altera o placar

Meio dia é o horário que eu estou em casa e é minha folga para o almoço. Abro a tv e esta lá o Tiago Leifert. Eu gosto dele, acho ele engraçado com um jeitinho carismático e as tiradas legais. Mas na maior parte do tempo eu não entendo nada de futebol e não estou nem ai para isso. Não dou a mínima pros times e a posição nos campeonatos. Rio mais é da bobagem que esta inserida nesse mundo, como uma cambada de gente pode levar a sério um negócio que é um entreterimento.

Acho mesmo que ser torcedor roxo é coisa de gente besta. Pra ser contraditória, eu acho bonitinho torcer pra algum time, ou aqueles meninos que tem camisa e torcem pro time. É gostosinho a idéia de sentar na frente da tv com alguns amigos, ir pro barzinho ou até mesmo seria legal a experiência de ir no estádio. Mas é tosco demais pessoas que vão em TODOS os jogos, mesmo que estejam do outro lado do mundo, discutem raivosamente, brigam (?), compram todos os produtos do time (??), fazem tatuagem com o símbolo (???). Céus, pára com isso!

Agora vou dizer o que eu acho. Eu torço pro corinthians por livre e espontânea herança familiar. Quando era pequena me perguntaram que time eu torcia. Eu não entendi nada da pergunta, porque eu nao sabia o que era o tal do time. Como aluna aplicada, anotei a questão e fui em casa perguntar para a minha única fonte de pesquisa da época: Meu pai. Lá vai eu, uma mini Mafalda e falo: Pai, que time eu torço? Ele me fala, Corinthians. E la vai eu falar a resposta no outro dia e sou zoada. Depois eu descobri que o Corinthians era amado e odiado, mas não ligava muito. Só sabia que dava sorte ficar balançando as mãos na frente da tv quando estava jogando. Depois deu um tempo e não funcionou mais, lá depois do campeonato Mundial. Ai desencanei e acabou minha vida de torcedora ativa de futebol.

De todas as piadinhas que eu vejo no Facebook que são repetidas vou te dizer a que eu acho: O Corinthians é que nem o São Paulo ou o Palmeiras. Tem 11 jogadores no campo, mais um técnico e mais uns outros serviçais. Eles jogam atras de uma bola e o objetivo é enfiar a bola no gol. Antes que todo mundo comece a discutir, ja vou adiantando: A TORCIDA NÃO FAZ O JOGO. Não adianta você discutir infinitamente e zoar o outro time. Nada vai mudar, só os jogadores e vai por mim, eles estão pouco cagando pra torcida. Eles só tão ali pra ganhar o rico dinheirinho deles e não vão chorar nem um pouco se algum de vocês, torcedores, se matarem por causa do time.

Você, gordinho do sofá, que bebe cinco cervejas, come até explodir as veias com tanta gordura e faz sua pressao subir por estresse em ver seu time jogar mal, te desejo um AVC ou um Infarto. Assim, quem sabe aprende que deveria ter o habito saudável de praticar exercícios e quem sabe jogar bem um futebol nos finais de semana. Deixa eu te falar, enquanto você ta reclamando o Neymar tá la, rindo da sua cara porque você da ibope pra conta bancária dele. Enquanto você ta comprando a camiseta do São Paulo, o Rogério Ceni ta planejando as férias na Europa dele e o Habibs agradece pela propaganda gratuita que você faz.

P.S.: Vocês sabiam que o football ou o "soccer" nos Estados unidos é coisa de maricas?
P.S.²: Do jeito que funciona o Karma... ja pensou se eu tenho um filho jogador de futebol. Pior, ja pensou se ele se tornar juiz de futebol. Credo, bate na madeira.

sábado, 27 de agosto de 2011

O bonitão

Eu gostava de um cara e este cara tinha um amigo. O meu cara era de beleza mediana, enquanto o amigo dele era muito bonito. O meu cara era conhecido por ser pegador, enquanto o amigo dele, era conhecido por ser "... nossa que cara gato". Eu era muito apaixonada pelo meu cara, mas confesso que quando eu vi o amigo dele pela primeira vez eu só pensei "Com um deus desse... e eu fui me apaixonar pelo outro?". Coisas da vida que na época eu não entendia. Eu só sei que eu era doidona pelo meu cara, mas sempre que eu via os dois juntos, não entendia porque o menino bonitão não foi ganhar a vida como modelo de cueca. Coloca ai: moreno, alto, bonito e sensual.

Eu lembro que eu peguei amizade de bêbado com o bonitão em alguma festa. Eu lembro também que ele passou a ser muito simpático com a minha pessoa, mesmo achando que ele nao lembrava de mim. Mas eu gostava muito do outro, o meu cara, e só sei que começou uma guerra fria entre nós, se isso não foi coisa da minha cabeça. Eu queria irritar o cara que eu gostava da mesma maneira que ele me irritou: Dando bola pro cumpadi mais bonito dele. Burrice a minha? Lógico. Mas não estou aqui pra falar disso né.

Sei que um dia peguei amizade de boa com o guri bonitão, e reparei que ele era muito bonzinho. O famoso "... E além de tudo é bonito". Parecia meio forçado, em alguns momentos, a pinta de bom moço. Mas e dai? eu nao estava com planos de levar pra casa, apesar de começar a achar que o menino estava dando brexa para tal. Ok vamos la. Era bem um dia que ia rolar uma balada que mulheres tinham um monte de vantagens, como área vip só pra nós e umas bebidas a mais no open.

Esbarrei pela segunda vez no menino e ai começou a conversa. Ele parecia estar bêbado e veio conversar comigo super feliz. Ai começou a verdadeira palhaçada. Ele me puxava, como se quisesse ficar comigo, mas quando abria a boca era totalmente pra falar algo sem sentido. Eu juro, não dava pra entender. Alguem se aproximando de você de forma meio descordenada, parecendo que te quer, mas falando coisas sem nexos.

Como eu gostava muito do outro cara e ele tinha uma fama de mulherengo, eu passei a reparar nas atitudes dele com as mulheres. Eram sempre aquelas chegadas de lado, mãozinha na cintura, gracinhas nos pés do ouvido, risadinhas estratégicas. Alias, eu fiquei perita mesmo nessas atitudes. Curiosamente, o bonitão estava querendo aplicar as mesmas técnicas em mim, mas de uma forma meio atrapalhada. Parecia que era um aluno tentando repetir as técnicas do professor. Eu fui achando a situação meio engraçada e dei corda, provocando em alguns momentos pra saber onde aquilo tudo ia dar. Algumas horas ele parecia ficar meio frustrado, mas lá vai eu segurar o riso. Quando eu questionei do que ele queria com as atitudes dele e ele ficou sem jeito, porque não estava dentro das normas eu falar algo. Eu lembro de algum momento ele dizer "não nessa hora você tinha que dizer tal coisa", isto é, pro xaveco dele dar certo.

Só sei que chegou um momento de ouro. Imagina um bonitão, te segurando pelas costas e se aproximando de você. O menino cola no meu ouvido, acertando no gesto e fala:
_ O mundo é dividido em dois tipos de homens. Aqueles que tem jeito com as mulheres, que mas conseguem conquistar. E tem os homens bonitos.

Nesta ele para o olhar nos meus olhos e diz: Eu só sou bonito.

Aplausos pro bonitão. A terra é redonda e gira ao redor do Sol. Eu não fiquei com o cara aquele dia. Não tinha condições mesmo porque foi muitas pérolas atrás de pérolas. Mas em vez de me lembrar do que aconteceu, outro dia liguei o foda-se e fiquei com ele, comprovando que ele tinha razão no que tinha falado. Prefiro nem contar, só dizendo que foi uma catástrofe. Palmas pra mim, que nesse caso fui uma guerreira, ou estava muito fora de mim. Fui burra, eu admito, precisava conferir por n razões que não daria certo mesmo.

Depois de um ano, eu juro que estou fazendo um esforço mental muito grande, pra guardar essa cena na cabeça e ficar esperta. Ecoa na minha mente a imagem "Só sou bonito". Erros que a gente comete para no futuro não repetir. Vai por mim, tem caras que só são bonitos, que não tem jeito algum, que só repetem os outros e que não tem nada a te oferecer. Quando eu vejo algumas patifarias desse tipo, tento lembrar da cena "Eu só sou bonito". Se é a própria pessoa que diz que ela é de tal jeito, meu bem, acredite nela.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Who run the world? Norma

Até parece que eu sou mega noveleira e sei de tudo. Grande engano. Por levar uma vida nada agitada, que se resume a ficar sentada na escrivaninha, eu me pego muito na frente do pc e também olhando pra tv. Eu sei, isso deixa a gente meio "sem vida", também acho. Mas a vida, por enquanto, é assim.

Pra falar a verdade, Insensato Coração é a novela que menos gostei. O que dizer de uma trama que todo mundo ja sabia o final há duas semanas e o autor não mexeu. Queria que fosse a última que eu assisto, mas Cordel Encantado realmente me ganhou com sua fofura e originalidade (Ai Capitão Herculano). Mas só uma coisa me prendeu na novela. Minto, duas. Os impagáveis diálogos entre a Nathalie, Roni, Dãglas e Bibi. Cada um mais divertido e interessante que o outro, que poderiam ser anotados e usados em situações cotidianas.

Mas a que ganhou me atenção, assim ó, desde o começo, foi a Norma. A que me fez aturar personagens chatos, uma trama sem história e sem nexo. Ter que aguentar gente que nem sabe atuar. Ah, quem me tem no facebook até viu minha empolgação com a Norma, mas gente é a real, única personagem que prestou nessa novela. Alias a Glória Piris fez tão bem que até a atuação dela, jogada no chão e morta, foi melhor que a de muita gente. Isso porque eu só pensava "não ela devia estar viva!", porque na real a personagem estava viva. O autor tinha uma bela personagem nas mãos, mas foi lá e jogou tudo pro ar.

Eu tenho uma amiga que não entende porque eu gostei tanto da Norma. A razão é simples. Lembra das aulas de Literatura, Romantismo e Realismo? Então, personagens planas e esféricas. A Norma é a única personagem esférica da novela. Nada de "Ah vah" pra mim. É sério. No inicio eu ri porque ia ter uma personagem "Enfermeira burra". haha... a nossa profissão nunca é representada, e quando é colocam como alguém. Ah deixa pra lá. Mas foi legal ver como a personagem cresceu psicologicamente, como ela foi adquirindo inteligência e reflexão. Isso são coisas de personagens esféricas.

Também acho que isso é muito próximo do que acontece na nossa vida. Quando pessoas aprendem realmente com determinadas situações, elas ficam mais reflexivas e meditam sobre o erro. Isso foi legal sobre a Norma: ela passou a ficar esperta. Foi alguém que foi treinada a ser "boazinha", e caiu na real quando viu que ninguém iria ajudá-la por conta própria. Quer saber o que eu acho? Uma bela de uma lição, principalmente pra nós mulheres, a não acreditar em qualquer "Lobo em pele de cordeiro". Quem é que nunca se lascou feio? Quem nunca foi traído? E não só com o amor, mas na vida? Quem nunca foi, pode ter certeza, que traição é como consorcio. Se você nunca foi "sorteado", relaxa que sua hora chega.

Focando na teledramaturgia brasileira, praticamente a Globo domina o negócio. Até mesmo as outras emissoras seguem o modelo dela. Então vamos lá. Se a gente for observar, uma novela é praticamente igual a outra. Me dá neuras com o tal "Quem matou fulano?". Saco, se quer aumentar o índice de ibope de uma novela, basta matar alguém. E lá vai um ator perder o emprego. É sinal que roteirista não tem nada pensado e sim copiado. Os personagens principais são todos caricatos. Bonzinho e mauzinho. Manuel Carlos, que gosta de uma coisa mais realista (da classe A), nem consegue ter mais vilão nas novelas dele, e as Helenas são todas da mesma linha.

A autora de novela que mais inova é a Glória Perez, mals ae mas O Clone é muito bem bolada. Tem suas falhas, a Jade é mega FDP e mesmo assim é mocinha, e o Lucas é o homem mais tapado do universo. E mesmo assim "somente por amor a gente põe a mão". Vai entender. Já vi nego falando que agora não tem mais mocinho, e sim heróis. Mas esses heróis são panacas demais, gente besta que não cativa o público.

Nesses dias eu assisti "Morde e Assopra". Depois de tanta babaquisse, a primeira frase mais próxima de um homem de vida real que eu vi foi do Marcos Pasquim. Só sei que ele foi indagado se queria casar com a tal da Celeste "Ah ela é gostosa de pegar, beija bem, mas sei la esse negócio de casamento...". Homem bruto falando de mulher? Ah agora eu vi sim.

Quando eu digo que adoro a Norma é porque vejo uma personagem feminina forte e complexa. Tenho certeza que, em algum momento, a Norma teve "inspiração" na Alicia Florick, de "The Good Wife", mesmo que seja no corte de cabelo. Na real, foi um plagio deslavado, quando as duas eram "boazinhas" usavam cabelo semi-preso. Depois que viraram poderosas deixaram soltos e maquiagem formal. Mas só tenho a dizer que Alicia é outra mulher espetacular, ainda bem que é reconhecida como tal. A série é brilhante pois todas as personagens são feitos de momentos. Eles agem conforme a situação, não existe o "bonzinho e o vilão". Mas o interessante que existe o Certo que pode fazer mal e o errado que pode fazer o bem. A lição sobre o "Fim justifica os meios?", que fica sem resposta. Mostra que são personagens esféricos, reagindo conforme a situação, com dramas psicológicos que mexem com a gente. Como é que eu lidaria com tal situação? Será que isso é certo? Isso é errado? Semelhante como as pessoas agem na real. Drama psicológico minha gente, isso que eu quero. Gente como a gente, ou gente que pensa diferente da maioria e inova, fazendo tudo da sua maneira.

No final, coube a Norma o tal do Insensato Coração. Para não sair do padrão "mocinho e vilão", preferiram encaixá-la como vilã e forçar as situações para tal. Que pena , a que mais pensou e aprendeu na trama. Seria uma personagem interessante para uma trama rica, que prendesse e fizesse pensar. Mas fico chateada, como a gente acaba se envolvendo com essas porcarias. Vontade de ir lá e fazer melhor. Mas tenho certeza que daqui alguns anos, algum outro autor vai utilizá-la novamente, que na nossa tv tudo se copia.

Por sinal, Aguinaldo Silva nem esperou para terminar a novela das sete para roubar o enredo. Pelo amor ein, filho que faz medicina e tem vergonha da mãe pobre?

domingo, 24 de julho de 2011

Eu quero voltar...

mas não consigo. E agora como é que faz? sacanagem né. Mania besta da gente de dizer que precisa estar inspirado. Pra que? é um simples blog, não é que "meu deus, quero ser famosa". Como dizem meus quase conterrâneos "que dó, que dó".

Resolvi aplicar o copia e cola, do meu único texto do meu antigo blog aqui só pra eu dar inicio em uma nova fase. Prometo que volto, só não sei quando.

Essa historia de blogs começou quando eu tinha uns 13 ou 14 anos vendo um blog de fotos do menino por quem depois eu acabei ficando afim (na época eu o achava o menino mais lindo do planeta). Acabei criando aqueles blogs adolescentes que põe a foto que foi na balada. Eu morria de vontade de escrever sobre as coisas, mas minhas amigas me chamavam de "democrata" por gostar de política. Na verdade, elas nem se referiam a política em si, alias elas nem sabiam o que significava o termo. Tudo bem me chamar assim, se eu fosse americana (ou estadunidense) eu realmente seria democrata, mas minhas amigas da época se referiam a minha incrível capacidade de querer discutir sobre todos os assuntos, por que desde criança eu era assim. Ter uma opinião sobre tudo, e quando não tinha, matutava sobre eles o tempo todo até enlouquecer e chegar a uma opinião: a minha, ou o meio termo, que para os adeptos do "ou tudo ou nada" era nenhum lugar. Entretanto, sempre foi A MINHA OPINIÃO.

O segundo blog que eu criei foi depois de eu ter terminado cursinho, depois de ter entrado na faculdade de Tecnologia em Saúde e ter largado pra voltar pra minha cidade natal, Itapetininga, pra fazer sabeimelá o que. Eu não tinha a menor ideia do que fazer da vida, era uma pessoa que simplesmente estava se recusando a crescer, e durante muito tempo eu fui assim. O que acontece com as pessoas quando elas são assim? Tem muito sofrimento, a angustia dominadora que me fazia ser extremamente problemática. Eu alguém que todo mundo dizia que tinha potencial, mas eu mesma não enxergava nenhum. Desde aquela época eu tinha uma capacidade de observar meu cotidiano, sempre acontecia alguma coisa no meu dia-a-dia que, entre uma situação ou outra, tornava meu cotidiano um pouco mais "animado". Fui descobrir mais tarde que nada mais era do que a famosa sede por viver. Infelizmente eu ainda estava no lugar errado, não estava vivendo a minha Ventura ou o meu caminho. Talvez fosse meu "destino" viver todas aquelas situações para ter formado a pessoa de agora, mas naquela época eu não estava muito certa sobre isso. Creio que hoje eu teria feito as coisas muito diferentes, mas eu também não teria conhecido as pessoas que fizeram diferença na minha vida.

Eu entrei na faculdade achando que seria parte das pessoas mais velhas na sala, a mais madura. Que engano feio. Afastei MUITA gente, tive o primeiro semestre mais depressivo de todos, engordando feio e tendo muitos problemas de relacionamento (e ao mesmo tempo nenhuma briga). Sai dele viva, mas detonada. Eu cheguei a abandonar o meu blog, que tanto adorava, por medo das pessoas que eu estudava conhecerem, e as que me detestavam conheceram e tiveram bons motivos para falar de mim. Aconteceu tanta coisa, muitos não-relacionamentos e tantos não-projetos. Conheci que se eu me considerava uma pessoa estudiosa por conta própria, também era uma péssima aluna em sala de aula.

Quando eu achei que ia me tornar alguém mais centrado nos estudos e acabar com qualquer ficada com esses "meninos fúteis" de são carlos, fui pega por aquele que era "O diferente de todos". Fui descobrir mais tarde que este agia igual aos outros garotos e ainda era O professor. Logo eu, que abominava os galinhas como é que fui cair nas graças de um? Depois de várias paixonites na adolescencia de 5 minutos, eu me dei de frente pela primeira vez com o estado "Apaixonada de verdade". Talvez ele fosse pra ser apenas mais um, mas ele foi o único desses anos todos que realmente me passou a perna, me fazendo de boba na frente das minhas amigas Ele me deixou perguntando "O que eu fiz de errado?". Eu tinha feito muitas coisas. Passei anos sem querer uma relação de verdade por medo. Vi tantas amigas minhas tendo relacionamentos infelizes, xingadas ou enganadas que me recusava a viver como tal. Protegi a mim mesma de certas situações que esqueci de observar o porque daquilo tudo e não deixar acontecer comigo.
Se na época eu considerei tudo como "A humilhação da minha vida", o motivo para eu querer dar o troco de verdade em alguém, nesse instante eu tomo como "O aprendizado". Eu quis entender as situações que faziam minhas amigas e os amigos, a aprender com elas, ouvir o que elas.m Sinceramente, vou ser cuzona em dizer que aprendi muito mais com as cagadas delas do que de fato com as coisas que elas acertavam. Aprendi que o mundo tem regras, maleáveis dependendo da situação, e São Carlos tem as regras bem machistas e duras com as meninas, além de bestas e dispensáveis.

Considero que dei o troco, aprendi mais, fiz uma auto-terapia. Descobri que eu tenho que aprender um monte, mas me descobri. Quis crescer, e sinceramente QUE MULHER! Tive que aprender a "gostar" incondicionalmente, a perdoar, a dar a cara pra bater por uma situação maior. Quer saber, o bom de ser considerada "a louca" é que você pode entrar em situações constrangedoras e conseguir informações que te farão ganhar certas guerras. Tudo é uma questão da sua consciencia e da maneira que vocÊ leva aquilo.

Escrevi um monte para dizer que a pessoa que aqui escreve aprendeu na porrada e através de observações a ser "dona do próprio nariz". Descobri esse ano que tenho Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade, e acrescento a Impulsividade e ainda estamos discutindo sobre a tal Bipolaridade. Pra muita gente isso não é nada, pra mim foi a explicação de muitas coisas. Não estou negando nada do que fiz e do que faço, muito menos dando desculpas esfarrapadas. Mas ja que eu tenho atestado de loucura e ainda em folha amarela, vou usá-la pra dizer que fiz muita bobagem, oloco e como fiz, tudo faz sentido ja que realmente eu tenho os parafusos da cabeça soltos. Mas graças aos céus posso dizer que não fiz como falha de cara ter, e uma das coisas que eu aprendi que minhas bobagens não são nada comparada com as de muita gente. Olha que eu achava que cretinos so tinha na tv.

Pra quem não conhecia a Menina (sem) Veneno, eu me apresento aqui como aquela grandona de vestido e que tem cabelão cacheado. Vixe a menina fala bastante, vem sempre com uma historia pra contar. A safada as vezes tropeça no próprio pé, mas eles estão com melissa (será que aquilo nao machuca o pé?) ou sempre com um tênis branco. Quando conhece a kitnet dela, a primeira coisa que se pergunta é: como é que alguem consegue viver nessa bagunça?

Quer saber? Essa sou eu mesma. E seja bem vindo ao meu ANTIGO lar. Esse é o meu primeiro texto (de volta), e pra não quebrar o clima de magia dele não vou fazer revisão. Até mais.