sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Não aprendi dizer adeus...

Eu li uma vez em um blog que a pessoa dizia algo parecido a ter medo do Para Sempre. Na hora a ficha não caiu direito, principalmente que eu não estou na época do ETERNO. Mas parando pra pensar, na data de hoje, eu sinto medo é do NUNCA MAIS.

A minha chefe foi gente fina a beça comigo. Me pediu desculpa das maluquices dela e eu também pedi sobre as minhas mal criações. Continuo achando que ela é meio doida de pedra, mas digamos que tem coração bom e merece meu respeito.

Eu olhei pro meu "escritório". Deu um aperto no coração. De repente não será mais eu que guardará aquela tonelada de materiais, que organizará tudo por ordem alfabética (do jeito que eu gosto). Não será mais eu que pegarei material para a criançada ou que organizarei os boletins. Eu não vou mais tirar xerox. Foi mais ou menos assim durante um ano e muitos meses.

Quando voltei pra casa, comecei a pensar na rua aqui de casa. Vi todas as minhas vizinhas mulheres reunidas em torno da minha sobrinha de coração, a Duda. Depois a criançada vindo da piscina cantando a música dos "filhos de Francisco". A minha avó adotiva sentada em frente de sua casa. Passa-se os anos, ela firme e forte, apesar das reclamações. Um final de tarde tranquilo.
É óbvio que eu estou esperançosa de ir embora. Eu sonhava com São Paulo, mas agora me vejo tão feliz por São Carlos ser a minha maior probabilidade. Eu só tenho medo das coisas não serem do jeito que eram antes. E elas não serão.

Sei que terei mais um tempo aqui em Itapê. Vai saber se acabo não ficando por aqui mesmo, se nenhuma facul não me quiser... vou fazer o que? Mas é essa sensação de crescer, de ser obrigada a deixar coisas pra trás. De ter que escolher entre o cômodo e o sonho. O que será que eu vou me tornar?

Eu sei que semana que vem serei Auxiliar de Educação. Alguém que cuida de berçários e de crianças. Será que no futuro serei a Enfermeira de UTI NeoNatal? A Professora(Doutora) de Enfermagem? Será que meus sonhos se realizarão mesmo ou eu vou ser infantil. Por que crescer é tão difícil assim? Talvez eu esteja sofrendo antecipadamente, é provável.

Eu digo tudo isso por que no domingo chorei que nem um bebê. Isso nem tinha saído os resultados dos vestibulares. Eu sonhei com uma boneca que tive até os 16 anos (a minha fase de rebelde). Acordei pensando em fazer um corpo novo pra ela, roupinhas e levá-la aonde eu fosse. A minha mãe ficou surpresa quando perguntei por ela e me contou que tinha a dado pra uma prima há 1 ano e meio. O que eu chorei dava pra encher um balde.

Eu sei que parece egoísmo. Os maus-bocados que passei ano passado não foram fáceis. Não chorei com a doença e o tratamento da minha mãe, não consegui chorar com os vestibulares, e muito menos por causa da BIG decepção amorosa que aconteceu comigo em Dezembro. Eu lembro que chorei demais, mas uma hora ATÉ QUE ENFIM consegui chorar por tudo que estava travado. E depois voltei a chorar mais um pouco.

Eu chorei muito pelo o que a boneca representava. A época que eu não era tão cética como sou agora, em que eu conseguia acreditar com fé em algo superior, de aceitar ser criança e não querer passar por adulta. De não ter problemas graves, só me preocupar em ir na escola e manter meu quarto arrumado. Comia o que eu queria e tirava sarro de conseguir comer uma pizza inteira. Hoje eu estou com um colesterol elevadíssimo.

Hoje eu vejo que perdi um pouco daquela menina com fé. Tem o seu lado bom e o ruim. Confesso que fui muito mimada, e ainda permaneço em alguns pontos. Pelo menos agora eu sei que a vida não é tão bacana com aqueles que se dão ao luxo de muitas coisas. Que vou ter que batalhar muito pra domar essa minhas vontade de jogar tudo pro alto na primeira dificuldade. Eu só estou ainda com medo do tal de Nunca Mais.

Nunca mais vou brincar com o povo da rua, principalmente porque alguns já tem filhos.
Nunca mais vou ter o gol quadrado me levando pra cima e pra baixo.
Nunca mais vou ter a fé que um dia eu tive...

Agora eu sei que nada é pra sempre. Acho que só por causa disso, o Para Sempre não me incomoda tanto quanto o nunca mais...

Parece que estou deixando de ser mocinha pra ser adulta. E ta doendo viu...

2 comentários:

ruycastrus disse...

crescer é foda, to sem ideia, mas depois comento de novo aq ;D
mocinha ^^

Thaís disse...

Eu tb...Pri qria dizer alguma coisa, mas minha imaginação* nao deixa



*gerente féladaputa