domingo, 4 de janeiro de 2009

Sem noção atrai sem noção

Lá vai eu pra tortura que é prestar vestibular. A tensão ja começa ao entrar na van, ao ver o pessoal que foi também pra segunda fase, os concorrentes. Ai céus.

Depois vem la no shopping. Estou com uma overdose de Esplanada shopping. Dia desses eu vou propor a implosão daquele lugar. Ja sei de cor a localização de todas as lojas e ainda me da desespero de não ter dinheiro pra comprar nem um alfinete. E a comida? Tomo liberdade pra dizer que não tem nada melhor que comida da mãe. Não exatamente pelo sabor, mas que comida de casa a gente não paga né (não diretamente). Entro em depressão cada vez que vejo o prato na balança e o preço do quilo esta la em cima. Tanto estômago quanto a carteira ficam vazios.

A mulher da van hoje avisou que nao iria ser ela que nos levaria pra prova. Até ai tudo bem, colocou um cidadão no lugar, a van dele era uma bem bacana e pans. Sei que ele não conseguiu entrar no shopping pela entrada principal, tinha que dar a volta, e como nós estavamos com fome e pressa, descemos ali e iamos esperá-lo 12:10 no estacionamento. Ai que o senhorzinho da van resolveu dar uma sumida básica. Em teoria, acho que o homem foi atender ao chamado da natureza e esqueceu o resto da civilização.

Procura o veinho no estacionamento de cima, no de baixo, no do carrefour. Vai nas outras vans perguntar se alguma boa alma tem o celular do homem. Liga pra Itapetininga pra ver se algum pai pode ligar pra mulher da van (que nessa altura estava na PRAIA).

Naquele momento, nunca tinha odiado tanto alguem como esse homem da van. Ok, tem o cara das historias ali debaixo (o Zé). Mas canalha a gente sempre detesta, velhinhos a gente suporta. E eu tava pra matar aquele velho se ele não aparecesse. Ja era 12:30 e NADA do homem aparecer. A prova era às 13:00. Desespero.

Sei que meu amigo soltou a dele "Se esse homem nao aparecer, eu juro que eu mato ele e a família dele como uma forma de seleção das espécies". Tenso ainda. Cara, será que eu seria TÃO azarada ao ponto de ser eliminada do vestibular que eu tanto queria porque o homem da VAN simplesmente esqueceu do motivo pelo qual ganha dinheiro?

Eu sei que eu pensei em processar o homem. Pra pagar meu cursinho? Não. Pra pagar meu psicólogo. Seria um trauma imenso. Fiquei desestabilizada emocionalmente pra valer. Quase até fumei um cigarro... sóbria! Ainda bem que me contive. Mas imagina a humilhação: Oloco, Priscila, não passou de novo na faculdade. É né meu filho, dessa vez foi por culpa do cara da van que não levou a gente fazeprova. Ouvi pessoas dizendo que iam ANDANDO até a UNISO. Sei... coragem e pernas pra que te quero.

Ai que o homem apareceu, todo mundo que queria matá-lo acabou ficando com dó porque ele era ao menos bonzinho e a van dele era bonita. Há. Na verdade, o homem NÃO SABIA que tinha que pagar estacionamento no Shopping e não foi estacionamento e ficou do lado de fora esperando a gente aparecer. Próxima vez avisa a gente antes que ninguém tem bola de cristal né.

Fomos pra prova com o C..oração na mão. Poxa, será que vai dar tempo? Ainda bem que deu. Chegamos 15 minutos antes de fecharem os portões. Depois de meia hora começou a prova. Ai que foi tenso. Muito Muito Muito Tenso. Eu queria entender a minha capacidade de viajar na maionese. É incrível. Quero saber como é que eu vou ter que aprender Química em 24 horas. Espero eu consiga me fazer de Chico Xavier e baixe a Marie Curie pra eu acertar algumas questões né.

Agora pra vocês a trilha sonora de todo vestibulando: