segunda-feira, 9 de junho de 2008

Into the wild - Na Natureza Selvagem

Escrevo esse post ao som da maravilhosa trilha sonora deste filme, que também é o primeiro album solo do Eddie Vedder. Não consigo parar de escutar “No Ceiling” e "Long Nights". Acho que depois de um fim de semana lotado de atividades extracurriculares e pequenos atritos, é estranho dizer que essas são as músicas do meus dias, todas calmas e profundas, um tanto melancólicas. De certa forma, são as que estão dizendo pra eu declarar logo a independência, enfiar a mochila nas costas e iniciar minhas aventuras.
Assisti esse ótimo filme, muito bem indicado por vários blogueiros de plantão. Nem vou contar sobre ele, ja que sempre falei que não era crítica de cinema, apenas uma amante platônica e sem muito conhecimento.

Estranho. A história é real, o rapaz morreu de inanição após chegar no seu destino, mas não tem como não querer fazer a mesma coisa. Sentir que não existem amarras em um lugar, observar as pessoas como se fossem a última vez, mesmo elas implorando pra ficar. Eu tenho muito disso, o tal do "último olhar", como uma forma de valorizar. As pessoas que mais amei conhecer, são aquelas que eu demoro pra rever.

Ultimamente eu to muito assim, enjoada demais da minha cidade. Alias, eu sempre estive mas não por odiar aqui, no fundo não sinto isso. Eu estou cansada da rotina, de não haver experiencias novas e do rumo que as coisas estão tomando. As pessoas daqui se importam muito com pequenos detalhes e eu tento demais agradar todas elas, me magoando. Isso me deixa doente. Simplificando, eu nao me encaixo mais em nenhum lugar, não me sinto mais a vontade.

As vezes eu acho que ja cumpri meu papel de filha e estudante. Que ta na hora de eu procurar o meu Alasca (que no meu caso se chama Patagônia), as minhas paisagens, as minhas experiências. Eu ainda não conheci o mundo, só fui até Taubaté (acreditem em mim quando digo isso). Quando fui embora, morei com a minha tia e isso não significa que "sai de casa". Foi mais umas férias prolongadas na presença dos primos malas.

Talvez eu seja muito inocente, como muitos andarilhos, em achar que é um mar de rosas enfiar mochilas nas costas. Acho que se eu fizesse como o Chris, talvez cometeria o erro fatal de todo dia ligar pro meu pai avisando que eu to bem, só pra não matar o velho do coração e voltaria no dia seguinte. É uma das probabilidades.

É só assustador demais achar que estou na vida adulta. As diversas preocupações cotidianas, as palavras soltas que podem se tornar ofensas, a falta de emprego e consequentemente de dinheiro. A enorme quantidade de compromissos e ter que seguir um padrão de comportamento igual ao das outras meninas me deixa de cabelos em pé.

Ai chega. Ja deu pra muita ver que to de saco cheio e quero viajar. Vou ali na rodoviária ver o horário de ônibus e daqui a pouco volto. Vou enxer minha mochila com bastante comida, pra não ter perigo de passar fome.



When you want more than you have
You think you need...
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
Because when you have more than you think
You need more space
"Society"





Um comentário:

Bruno disse...

Esse filme é foda. Vi semana passada, e sempre que vejo esse tipo de filme fico me coçando porque sempre tive vontade de colocar a mochila nas costas e viver uma vida cigana...

Estudo psicologia :)

Bjo!