domingo, 3 de fevereiro de 2008

A garotinha

Quem ja leu isso aqui sabe que eu me formei como professora pelo CEFAM e que eu até ja trabalhei como tal. Conheci alunos super gracinhas e outros muito chatos.

Alias levo ao pé da letra o que minha mãe fala, que aqueles "encapetados" são os que hoje em dia falam com a gente, comprimentam na rua e tals. Faço questão de cumprimentar (quase) todos meus professores, por educação.

Quando eu estava na primeira série, descobri que tinha uma professora que morava pertinho de casa. Pra que, quase todo dia na casa dela tomando café da manhã. Assisti "A pequena sereia" antes que todo mundo por que fui la e ela colocou o vídeo pra eu assistir. Batia o cartão na casa dela. Nem sei se ela tinha tanta paciência assim comigo. Agora vem aqueles papinhos "Por isso você é tão cdf né? Puxa saco de professor". Ai posso dizer: Naquela épóca eu era uma anta. Não que agora eu seja superior (longe de mim), mas eu fui adiantada na escola (grandesmerdas) e tive dificuldade pra acompanhar a classe na época.

Acontece que aquela professora desenvolveu um certo "carinho" por mim. Sei la o que exatamente foi. Encontrei ela em 2005 na padaria e ela ficou feliz por saber que eu fazia magistério, disse que nunca tinha me imaginado e tudo mais. Depois a minha mãe disse a ela sobre a faculdade também.

Agora vem acontecendo algo meio "parecido" comigo. Quando eu trabalhava com reforço, a menina mais CAPETA da sala descobriu que eu sou vizinha dela. Pra completar a tia dela tem uma certa deficiencia mental e eu conheço desde criança. De lá pra ca, quando to andando pela rua e escuto um "EEEEEEI PRÔOO" que arrepia a minha espinha.

Nesses dias a pentelha tava do outro lado da rua e eu tava (novamente) com aqueles sapatos crocs. A doida atravessou a rua correndo e deu O pulo que, juro, escorreguei bonito que não sei como não cai de bunda no chão. Pior o dia que eu estava dormindo, ela entrou em casa e ficou em casa gritando pelo corredor. Gente, pensei que fosse pesadelo (só poderia ser).

Só que ai que tá. Por que eu to pegando carinho por essa coisa chata? Na minha aula, uma vez, a ser abaixou a calça e MOSTROU A BUNDA QUANDO EU TAVA DE COSTAS. Ela é diferente do que eu fui, que teve dificuldades mas correu atrás pra calar a boca dos outros. Mas eu olho pra ela e sinto uma certa pena e uma certa "incapacidade". Não sei se sou tão boa pra poder ajudar ela a aprender e a melhorar as notas. Eu não sei se sou TÃO BOA ASSIM.

Eu até gosto da garota, mas de alguma forma ela me irrita. Queria aprender a superar tudo isso. Ja pensei em tentar pegar uma bolsa no Cumão pra ela, mas ai a Chefia ia me obrigar a trabalhar a MAIS que isso (e digamos que eu não tenho saco pra tal). Pensei em tirar uma hora no meu final de semana, mas ver a peste aqui dentro de casa ia estourar meu limite.

De verdade, eu so queria ajudar a menina a não ser mais uma no mundo. . Dar pra ela algo que a escola publica não seria capaz de oferecer, porque ela tem uma dificuldade anormal. Tento ser uma "tia" legal, mas só fica na tentativa. Eu desejo sorte pra ela, que alguem mais capacitado do que eu possa ajudar. É eu sou covarde.

3 comentários:

Isis disse...

olha...pode crer..isso não eh anormal...

justamente a criatura mais chata ,pedante,pentelha (e todos os outros sinonimos possiveis para "criança pé no saco")é justamente aquela que a gnt teima em qrer consertar....

ossos do oficio...(mesmo q vc naum queira o oficio os ossos dele acompanham...hauhuahua)

bjao

KAZINHA LACERDA disse...

tadinha da pentelhinha!
vai ver q ela é a sua missão!

vc ainda está dando aulas?
achei q só estava estudando pro vestiba.

evao do caminhao disse...

eu gosto da idéia do CARMA!

ei, cuidado com frases destas:

"Dar pra ela algo que a escola publica não seria capaz de oferecer"

para crianças de inclusão a melhor opção é a escola pública sim